sexta-feira, 25 de julho de 2014

Inspirado na obra de Barbosa Lessa: Rodeio dos Ventos

Ybitú Yêpivú

Emanuela Monteiro Kuhn

Em meados do Século XIX
O homem branco sem piedade
Invade as margens do Rio Uruguai
Retira tudo de bom dalí
E se vai...

Tupã então resolve agir rápido
Pensa em algo para expulsá-los
Eis que envia quatro ventos
Noites e dias, de frio, chuva,
Calor, tormentos...

Um vento novo se aproxima
Vindo lá do sudoeste
Destruindo tudo sem dó
Carpinteiro martela a relva,
Deixando-a somente em pó...

Atravessando o Rio Grande
Pelo lado do litoral
Nordestão ou Siriri
Tá formado mais um vendaval...

Cidreira e Mostardas
Quintão também é atingida
Ranchos, povoados, aldeias
Pelas dunas são destruídas...

A tristeza reina por lá
Ninguém quer ficar ali
As dunas levaram a povoação
Deixando somente a solidão...

Na campanha, de clima ameno
As navalhadas geladas
Vão cortando o horizonte
Os fantasmas vagando a noite
Minuano assoviando desaponta
Assustando o povoado 
Em dias de ronda...

Congelando quem não tem rancho
Minuano se faz carancho
Tirando as nuvens presentes
Para que ele reine somente...

Uma fúria repentina
Tupã muda o clima,
Trazendo consigo o calor
Momentos de fúria, pavor
A morte rondando os campesinos...
Vento Norte o mais temido!

Presente ele esteve
Em cada degola
Cada estralhaço
Cada disputa por um pedaço
De um território que nem era seu
Sob o calor do Vento Norte
O homem branco... morreu!



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